NORMOSE

GALERIA 2 DO MUSEU NACIONAL DA REPÚBLICA, DE 6 DE JUNHO A 02 DE JULHO. ENTRADA FRANCA.

 Artista Kleber Cianni faz primeira individual em Brasília

*A mostra apresenta 13 trabalhos confeccionados com a técnica do stencil

*Madeiras usadas como suporte são recolhidas pelo artista no litoral de Florianópolis

*Artista foi selecionado para o Stencil Art Prize, de Sydney, na Austrália

Museu Nac.O início de tudo pode remeter aos grandes clássicos: um artista retira do mar pedaços de madeira que o tempo se encarregou de moldar. Refugos de barcos ou outro objeto qualquer, fragmentos de histórias que ficam impressas em buracos, pregos enferrujados, lascas de madeira. O artista recolhe o material descartado por alguém e recusado pelas águas e o transforma em obra de arte. Este é o princípio do trabalho do artista Kleber Cianni, brasiliense radicado em Florianópolis que faz, de 6 de junho a 2 de julho de 2017, sua primeira individual em Brasília. A exposição NORMOSE poderá ser vista na Galeria 2 do Museu Nacional da República, de terça a domingo, das 9h às 18h30. Entrada franca.

 Sob a curadoria de Wagner Barja, diretor do Museu Nacional da República, foram reunidos 13 trabalhos, compostos de 44 peças, nos quais o artista apresenta três personagens que são a expressão da Normose: A Vaca, O Barba e O Pontifex. São figuras representadas na técnica do stencil sobre madeira.

 Segundo o filósofo Jean-Yves Leloup e o psicólogo Pierre Weill, ambos franceses e muito atuantes no Brasil, NORMOSE é ‘a patologia da normalidade, que nos impede de ser quem somos’ ou então ‘são comportamentos normais de uma sociedade que causam sofrimento e morte’. O que o artista deseja é denunciar olhos adestrados, acostumados a ver absurdos sem nada fazer.

 

E partindo desse princípio, Kleber Cianni desafia a si mesmo, escolhendo superfícies irregulares para trabalhar com a técnica do stencil. Esta originalidade e a qualidade das obras levaram o artista a ser selecionado para o STENCIL ART PRIZE, em Sydney, na Austrália, em 2015, considerado o mais importante evento de stencil do mundo, onde está agora um trabalho de Kleber – Lenha.

 A EXPOSIÇÃO

 “Meu trabalho começa quando encontro o que ninguém mais quer, aquilo que é descartado. Uma madeira que o mar traz com buracos, pregos enferrujados, por exemplo, aos meus olhos são peças lindas, porque carregam histórias antigas e preciosas. Nas suas imperfeições me reconheço imperfeito. Com as minhas mãos vou lapidando as camadas que revelam seus segredos. E nesse diálogo silencioso e sensorial se dá o milagre da troca: somos um. A partir daí, as imagens aparecem. Este é só o começo”.

Kleber Cianni

 As obras que integram NORMOSE são compostas na técnica do stencil, com a proposta ousada de atuar sobre superfícies irregulares – em geral, o stencil é usado sobre paredes e outros planos lisos. As madeiras e demais materiais que o artista utiliza são encontrados no mar, o que confere à arte de Kleber Cianni um caráter de sustentabilidade e respeito ao meio ambiente, além de ser um canal de denúncia da poluição e da cultura do descartável.

 Com NORMOSE, Kleber Cianni quer lutar contra a mesmice e a repetição como condição ideal de vida. Diz o artista: “Um dos sintomas desta patologia é o olhar anestesiado, sem brilho, incapaz de enxergar o que vê, que habita um corpo apático, com ações previsíveis e pensamentos padronizados. Seres que temem a própria grandeza”.

Para a exposição, o artista selecionou trabalhos feitos a partir de três personagens que são, no fundo, etapas diferentes do humano. O primeiro deles é A Vaca, que ele apresenta em diferentes trabalhos. “A repetição sem elaboração, as atitudes sem propósitos, os pensamentos padronizados e a total falta de questionamento ou reflexão”, argumenta. Para ele, a vaca é a síntese da Normose, por fazer todo dia a mesma coisa até morrer.

O segundo personagem presente à mostra é O Barba, apresentada por Kleber como sendo o momento em que a Vaca se reconhece. Surpreso e confuso, O Barba enxerga e assume sua patologia (uma obsessão doentia por ser normal), embora permaneça apático, ainda com a visão turva e fragmentada.

Por fim, há O Pontifex, que age como ponte na tentativa de integrar as partes no todo. É personagem para provocar reflexões, criar diálogos e ensaiar conexões.

O ARTISTA

Kleber Cianni nasceu em Brasília, morou no Havaí, Califórnia, Sydney (Austrália), Bali. Hoje vive em Florianópolis, Santa Catarina. Com formação em Design (pela Faculdade CESUSC, de SC), em técnicas de vitral, paisagismo, serigrafia, desenho e pintura, é autodidata na arte do Stencil. Em 2015, foi selecionado com duas obras (Lenha eVaca I Phuck) para participar do Stencil Art Prize, Sydney, Austrália, considerado o maior evento de Stencil do mundo. No mesmo ano, integrou o Coletivo de Arte Postal Carta/Obra, desenvolvido em locais como Argentina, Eslováquia, França, Itália, Grã-Bretanha, Alemanha, Estados Unidos, Grécia, Áustria e Turquia.

Em 2016, seu trabalho fez parte da exposição Arte Postal, na Decurators Galleria, em Brasília, e da coletiva Onde Anda a Onda II, que comemorou os 10 anos do Museu Nacional da República, apresentando os principais trabalhos que passaram pelas galerias de arte do Distrito Federal. NORMOSE é sua primeira exposição individual.

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